segunda-feira, 9 de maio de 2011

Hoje comi sobremesa

Hoje, apesar de todas as garrafas com bilhetes lançados na noite, continuo ainda sem gás para cozinhar. Por isso, fogão à lenha! Com direito até a sobremesa: uma delicada banana, no ponto como gosto, a casca já toda pintada, diretamente na chapa do fogão, inteira. Quando descasquei a banana, tinha o cheiro de infância, tinha cara de infância, meio feiosa, dourada e branca, caramelizada no seu próprio açúcar. Mesmo assim, despejei um pouco de geléia de cravo e canela e creme de leite fresco. Depois do último gole de vinho, foi a melhor coisa da noite.
Mas é difícil qualificar assim as coisas. O fogão simplesmente aceso, sem nem cozinhar nada, já era tão bom por me esquentar ao mesmo tempo em que defumava a casa levemente, misturando o cheiro da lenha queimando com a banana assada. O fogo aceso foi outro prêmio. É tão lindo, hipnótico e crepitante que já é uma diversão em si. Uma taça de vinho para espantar o frio – que gosto também – acompanhando fatias de pão integral aquecidas com manteiga de alho para acompanhar um queijo - mas não é qualquer queijo – um queijo que fiz apenas de esperar por ele. Um queijo que se fez sozinho de leite bom escorrido e salgado tenuemente.
Foi por esse motivo que mudei de cidade, de trabalho, de vida. Para poder viver noites como a de hoje. E naquela época eu jamais imaginara que viveria assim. Acho que em geral a gente mira no que vê e acerta no que não vê. Eu procurava significados. Procurava algo para dizer que era viva. Que minha existência fazia sentido. Que eu podia fazer diferença. Na verdade, isso mais se parecia com um olimpo, um paraíso, um ideal de sonho. Era como ser herói de meu próprio destino, dona do meu nariz. Enfim, essas coisas inúteis, externas e passageiras como a idade que se tem.
É que o sentido das coisas vem sempre depois delas. Na hora em que se vive, apenas se vive. Sente, chora, gosta, não gosta, quer mais, esquece, ama. Quem sabe dizer na hora que está ali, com meio corpo para fora do parapeito da janela, que estava com medo, que não sabia, mas que queria ter ido, queria ter partido, queria não ter perdido o trem. Quem sabe na hora que está errando, instantaneamente, consciente, que era um erro? E quando soube, quanto isso lhe deixou de sofrer?
Eu não sei. Mas reconheço que meu esforço foi recompensado. Porque cheguei mais cedo em casa e pude coletar garras de pinheiro e trazer para dentro de casa um bocado de lenha. Não cozinhei, no entanto. Hoje tive noção do que é comer por gula. Apenas por uma atitude estética. O fogo pedia comida e eu não podia desperdiçá-lo. O queijo pedia pão dourado e não pude dizer não. Não era fome na verdade. Não tinha a menor necessidade. Foi um dar-se de graça, como as flores, como a arte. A arte de saber receber.

sábado, 7 de maio de 2011

Mudar devagar...

Mesmo quando sua mudança seja mais ou menos como se você ganhasse uma luta de boxe numa categoria superior à sua, você ainda pode voltar a errar. Errar feio, como se nunca antes soubera o que fazia e que era errado. Nem sempre tem chance para pedir desculpas e nem sempre consegue voltar atrás o que foi feito. O erro está ali mostrando os resultados, apontando o dedo para você.
Então, se tiver um mínimo arrependimento, sinceramente você vai se perguntar “por que?”, por que tudo tão errado, por que tudo tão difícil se o que parecia ser o mais difícil você fez, mudar. Mudar às vezes significou cortar sua carne, suas crenças, cortar a lágrima no meio do caminho, cortar a frase, a boca aberta, o ar não sai, e todos olhando para você.
E assim ainda, tendo ganhado o campeonato, tendo chegado em primeiro lugar – mudar é sempre chegar em primeiro lugar – tendo ultrapassado todos os obstáculos, uma vez mais volta a ser – por instantes – o que sempre fora até então. Volta a ser um passado que já esquecera (esquecera?), que já havia abandonado, que não faz sentido, não faz senão doer sua vontade, doer seu estômago.
É quase frio, é quase como se tivesse acabado a água no meio do banho. Apenas para fazer lembrar o quanto você mudou. Então você pode praguejar, maltratar-se, blasfemar, pode até pôr a culpa em alguém, mas no íntimo, sabe que foi você. E o que é errar? É ter agido? Agir ainda é a melhor resposta. é não ter pensado? Mas pensar demais também é um problema. O ser emocional brigando com o ser racional. E o que você gostaria de ser? O meio do caminho sempre o mais difícil. Entre um e outro, um abismo com uma corda estendida, não dá para olhar para baixo. Tem que acreditar e passar.
Ah, mudar é pôr o primeiro pé na corda transposta sobre duas margens. Vai escorregar, vai doer como se faltasse o ar debaixo dágua. Mas não dá para tirar o olhar do outro lado da margem. É preciso acreditar no paraíso. É preciso acreditar.
Eu sei agora que não há seguro para medidas provisórias, e toda mudança é isso. Não é um momento, é um passar entre um momento e outro. Porque continuar agindo como sempre agiu? Um norte é apenas um norte, não é a direção. É apenas um gesto, não é a vida toda. Graças a deus.

Sexta-feira à noite

Sexta-feira, à noite, hora de jantar. Acendo o fogão e coloco água para ferver. Destino: uma massa ao molho vermelho, que remédio. Um queijo recém-preparado, salguei um pouco para ver que gosto terá. Coloco os ingredientes sobre a pia, vou preparando tudo pré-calculadamente. E eis que surge um problema: o gás acabou antes mesmo da água começar a ferver.
Depois de hesitar um pouco, escrevo um bilhete pedindo socorro e coloco numa garrafa, lançando na noite. Mas não espero. Pego minha lanterna, luvas de couro e saio em busca de lenha no quintal. Minha munição estava baixa. Nenhuma garra de pinheiro para um fogo rápido. Então, junto todos os papéis que encontro pela casa, bilhetes, velhos recibos, cupons de compras, e coloco tudo bem ajeitado no fogão à lenha.
Dizem que tudo que queimamos se realiza. Por esse motivo, vou intencionando o fogo à medida que o alimento. Continuo acreditando que é necessário cozinhar para alguém, na intenção de alguém. Nada dessa coisa de cozinhar para alimentar. Nada de boas ações, funcionais e lindinhas como alimentar cães e gatos que dependem de você. Quero dizer, cozinhar com prazer, por querer, por generosidade verdadeira. Não há outra ação tão grandiosa como cozinhar.
Sei que isso me coloca na desconfortável posição de pouco modesta. Mas não é nada disso. Estou falando de entrega. Entrega de verdade. De quem não se arrepende não por ter feito, nem de não ter feito, mas de ter acreditado; que não teve medo de fazer papel de ridículo quando a situação era crítica, que não teve medo de se desapontar, porque a situação era de risco, que não teve medo de ficar sozinho, porque o momento era delicado, era pessoal demais. E cozinhar, bem, colocar um pouco de azeite de oliva extra virgem na panela e esperar encontrar um ingrediente à altura numa noite de pouca sorte, é um ato de bravura que merece um brinde.
Por isso, claro, me sirvo de vinho. E, porque me dei conta da importância deste gesto, coloco também um gole de vinho branco no molho de tomate que preparo refogando um alho-poró que encontrei perdido na geladeira. Vou ser mais amável ainda, vou colocar um catupiry de verdade no molho, assim que a massa cozinhar, para que não se derreta todo e eu possa comê-lo junto, derretendo na boca, espalhando seu sabor por inteiro enquanto vou comendo alegremente.
Sempre achei que simplicidade despertasse um sentimento de confiança e familiaridade, mas desconsiderei e acrescentei uns fundos de alcachofra – não é época, nem é fresco, mas eu tinha trazido para casa premeditamente para momentos fundamentais como o de hoje. Eu não me engano, quero dizer, não engano a mim mesma com falsas promessas. A vida pode ser reconfortante se soubermos tirar dela o que ela nos oferece, nem mais nem menos, porque a insatisfação é nossa humanidade querendo mais do que temos no momento. Ou depois.
Apesar de toda minha evidente felicidade em me prover, lanço um olhar ainda para a frigideira em que misturei a massa com o molho e vejo com melancolia que sobrou uma porção. Desaprendi a cozinhar? Esperava por alguém? Deixei a água fervendo no fogão para encher de umidade o ar da cozinha. Não recebi de volta nenhuma resposta ao meu bilhete lançado a esmo. Mas continuarei lançando garrafas na noite com bilhetes sinceros.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Abri um vinho

Abri um vinho, servi uma taça e brindei à saúde de todos os que fazem de suas escolhas um motivo para ser feliz. Brindei às escolhas que, muitas vezes doloridas ou difíceis, ainda assim são escolhas e por si sós são um bom motivo para brindar. Já havia colocado umas fatias de pão integral para tostar um pouco e começava a derreter manteiga com pasta de sal e alho poró. Depois do brinde, derramei um ovo caipira – mas caipira mesmo, desses que a galinha cresceu e cisca em quintal, solta, comendo milho e pastando, lá encima nos altos dos Venâncios – um ovo perfeito sobre a manteiga que se movia verdejada e, por cima de tudo, creme de leite fresco.

Pensei se as pessoas que vivem com alguém o tempo todo podem desfrutar de um momento desses. Um momento em que você está ali preparando um jantar leve mas que era o que você realmente queria sem ter que negociar nada com ninguém. É ótimo se relacionar emocionalmente com alguém. É ótimo trocar idéias, ouvir e crescer em casa, sem nenhum esforço. Mas dividir com outra pessoa o mesmo espaço exige uma energia extra. Exige negociar o tempo todo o que, como e quando. Não tem jeito. É claro que tem aquelas pessoas com quem podemos apenas pensar, cuja harmonia é tão real que chega a ser silenciosa. Parece que conectou uma antena, que a radiação do pensamento foi capturada pelo outro instantaneamente a ponto de ser quase uma extensão de seu braço, de seu corpo.

O certo é que meu ovo ficou maravilhoso. Normalmente faço isso no forno, mas estava com preguiça, então, cozinhei na frigideira mesmo. Para ficar como gosto, a clara branca e a gema mole, tampei e abaixei o fogo. O creme de leite tem que ser fresco, pois ele ferve e de outra maneira talharia, o que daria uma impressão ruim ao prato. Servi à mesa na própria frigideira para continuar bem quentinha. O pão integral recebeu um pouco de manteiga antes de molhar delicadamente na gema amarela amarela amarela.

Nesse instante, esqueci completamente minha conta corrente, a vida que roda lá fora, lá onde engrenagens se movendo parecem ser mais fortes que a vontade, esqueci de pensar o que farei amanhã, depois de acordar, no trabalho, com os cães e gatos e o que farei da minha vida. A vida é um pouco uma taça de vinho: cheia é linda, vermelho rubi e perfumada, mas só tem sentido enquanto se esvazia, enchendo de alegria enquanto se vai. O que ficou? não importa mais. Não fica nada. A vida vale pelo que passou, no instante exato em que está passando. Nem mais, nem menos.

Por isso, olho sem arrependimento o prato vazio e um pouco raspado de pão. Pelo contrário. Acho que todo mundo deveria dedicar um tempo para dizer-se “eu te amo” assim, de forma concreta e real, mensurável. Eu te amo em cada ingrediente que coloco. Eu te amo em cada bocado que levo à boca, querendo, já adivinhando o gosto pelo perfume que inalo, eu me amo. Quem não se ama certamente não reconhece nem valoriza o amor de outrem. E ademais, amar é uma atitude, não um desejo. Amar é repleto de gestos, movimentos e dedicação. Se não der para você parar e se cuidar, se olhar longamente no espelho, cobrir-se com afeto, sobretudo em noites sem lareira, se não der para você sair do seu lugar de conforto, claro e acessível, para abrir a janela e deixar o vento entrar, frio ou forte, desarrumado, então o que você tem feito da vida? Da sua vida. O que faz sentido quando você se encara sem desculpas, sem promessas, completamente desamparado como um bebê que acabou de nascer? Bom, muitos bebês vão receber o abraço quente e reconfortante de mamães que os esperam. Hoje, você só vai se amparar nas suas certezas.

Agora, não tirei o prato da mesa não. Nem a taça vazia foi parar na pia. Deixei a manteiga destampada, deixei a mesa assim posta e decomposta. Deixei tudo sem obrigação. Um mimosinho. Um excesso. Amanhã, quando for preparar o café da manhã, eu cuido disso. Amanhã é amanhã e hoje estou viva. Que bom que é poder chegar a entender o valor de sair de casa e de voltar. E poder ir dormir tranquila só porque fiz uma comida para mim. (vou dormir antes que algum psiquiatra comece a achar anormal minha conversa íntima e solitária, autosolidária, e venha me trazer algum remédio. A vida que passa pelos gestos que fazem sentido não precisa de remédios).

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Chegou a noite

Chegou a noite em que pude usar todos os ingredientes de que gosto e tinha em mãos para fazer mais que uma comida para mim, um laço, uma refeição para integrar, para brindar a alegria que é estar em harmonia com alguém. Por esse motivo, manteiga de garrafa com azeite na frigideira, e bastante cebola em rodelas finas para fritar, enquanto o feijão verde cozinha apenas na água e sal. A cebola vai ficando transparente e depois levemente dourada, perfumada que só.

Arroz cozinhando em outra panela, vou preparando um pimentão vermelho para assar com queijo-coalho, tudo devidamente importado da terrinha. O queijo vai derreter bastante e um pouco vai escorrer e fazer uma casquinha crocante na assadeira de ferro, importante para dar uma mordida boa no prato. Gosto de comer coisas com texturas variadas, um pouco macia mas também crocante, com mordida.

É uma orquestração. Uma amiga sempre dizia que para começar a saciar a fome o bom é pôr a mesa e colocar água para ferver, todos os comensais já ficam mais animados, certos de que logo serão atendidos. Então, testo o feijão, ele está macio mas inteiro, perfeito para despejar na frigideira quente de cebola frita. Refogo um pouco ainda para pegar bem o gosto dos temperos e despejo a melhor farinha de mandioca amarela que consegui, na verdade, ganhei feliz, tudo isso foi um presente.

Esse ingrediente é fundamental numa boa refeição: felicidade. Felicidade em fazer, em preparar e em receber. Sem ele um prato é apenas comida. O que você comeu? Não sei, não me lembro. Mas basta um toque, uma pitada de boa qualidade de alegria verdadeira, interior, daquela que você não consegue conter, nem esconder, e aí pronto, está feita a diferença. Pode fazer só arroz e salada, ou ovo ou massa. Tudo muito simples, nem sempre rápido – porque o rápido não é valor para a alegria – e dividir a mesa com todos aqueles que você ama e quer bem. É como um abraço. É uma declaração de amor.

Por fim, um molho lambão – de tomate, azeite de oliva, sal temperado e pimenta da boa, picante e perfumada, muito coentro – porque coentro fresco combina à maravilha com pimenta – um molho para colocar sobre o feijão, sobre o pimentão, sobre o queijo derretido, para amortecer a boca e os sentidos, uma ilusão para derreter os temores que ainda restem nos músculos, e trazer, por fim, o descanso.

Preciso dizer que essa comida não fiz sozinha?

quinta-feira, 31 de março de 2011

Outro jantar

Bem, ontem fiz um pouco de iogurte caseiro. E ele estava com uma cara tão convidativa que resolvi usá-lo no prato do jantar de hoje. Coloquei manteiga na frigideira e despejei o iogurte. Deixei refogar bem e adicionei o sal, pouco. Então, coloquei uma berinjela refogada, na verdade um antepasto de berinjela em que ela refogou no alho, cebola, pimentão vermelho e pimenta picante. Depois coloquei um pouco de corações de alcachofra picados. Cozinhou levemente e então despejei a massa que cozinhei. Para terminar, queijo parmesão ralado na hora. Não dá para descrever. O iogurte deu um toque macio e azedinho, levemente azedinho, ao prato, melhor do que seria um creme de leite. Leve, muito leve. Quase primaveril. Mas perfeito para uma taça de vinho carmenère.

Você vai dizer: de novo massa? Pois é. Mas o que você combinaria com um molho desses? Talvez um filé com purê de batatas, ou podia ter sido um risoni – aquele macarrão com cara de arroz – o que não deixava de ser massa também. Um arroz integral só cozido na água podia ter ficado bem temperado com esse molho. O problema é o mesmo: nunca me lembro de trazer ingredientes para casa. E também não como carnes.

Quando você não come carnes tem que ter uma variedade maior de opções para o jantar porque não dá para comer massa toda noite. E se for massa, tem que combinar os elementos para não fazer sempre a mesma coisa: molho de tomate! Não. Há que variar bem os ingredientes sem perder os aromas jamais.

Justo eu que falo tanto em simplicidade estou aqui me esbaldando com vinho e massa ao molho de iogurte rústico, berinjela e coração de alcachofra. Na época da alcachofra e do aspargo é fácil encontrá-los por aqui. Terra de clima frio. É perfeito. É maravilhoso, a alcachofra tem aquele gosto meio amargo e adocicado depois. Inteira e recheada, com tomates, manjericões, pão torrado esfarelado e queijo parmesão. Ou só o fundo assado no creme de leite. E os aspargos? Na frigideira, simples simples simples, no azeite ou manteiga e só. Tão frescos e tão macios que você não vai deixar de comê-los.

Comer é verdadeiramente resgatar valores culturais. São pratos com ingredientes da terra. Ou são pratos que reportam a paisagens distantes, diferentes, diversas. São aromas do quintal transportados para a cozinha, coentros, salsas, hortelãs, alfavacas, ou são aromas de tão longe que têm nomes esquisitos, currys, masalas, harissas. Tudo para perfumar e transformar os mais tímidos dos legumes em iguarias. Simples assim.

Manteiga na pipoca, quem não gosta? Azeite extra virgem com sal e vinagre de vinho tinto com pão italiano bem cascorento, nunca provou? Um sal mais crocante, nada de nada refinado, na salada de folhas verdes, frescas, pronto, já fez a diferença. Um chá de limão e canela ou um leite quente adoçado com geléia de laranja com gengibre, reconfortante, quase um carinho de mãe. Tudo muito simples, tudo muito sofisticado, tudo um sorriso leve no rosto, tudo divertido. A noite passa e você nem sente falta de televisão, de telefone tocando, de cachorro pulando. Dar-se o que comer, é fundamental como tomar banho ou escovar os dentes. É mais que civilizado, é dar-se de graça, como as flores. Fazer graça. A vida vale as risadas que a gente dá, mesmo quando não há ninguém para compartilhá-las.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Agora eu entendo porque

Agora eu entendo porque tenho obtido respostas rápidas, quase instantâneas às perguntas que tenho feito: é porque as tenho feito. Tenho verbalizado minhas indagações, tenho falado de minhas dúvidas, meus questionamentos, tenho escrito sobre elas. O universo não pode saber de minhas questões se não interrogo. Mas ao saber, logo se moverá para respondê-las, logo se abre para mostrar as soluções. De que necessito? Se não me torno consciente das minhas necessidades, como quero que elas sejam supridas? Se não me coloco objetivos, como quererei ser bem sucedida?

E sou o universo. Eu sou o universo. Eu sou o universo. Digo e repito para me dar conta de que não há respostas fora de mim. Mas em mim. Então, quando faço perguntas, focalizo melhor o que quero ver. Dou prioridades. Minha inquietação sagitariana se mobiliza para entender aquilo. E não há nada que não possa fazer ou alcançar porque a totalidade está em mim.

Não adianta o pensar intelectual para mim. O intelecto não me resolve quando estou com medo. E tem momentos absurdos em que estou com medo. Medo de que? Não sei, se soubesse não tinha medo. Se verdadeiramente compreendesse, não teria medo. O medo vem do obscuro, da sombra que faço de me aproximar da luz, ainda na penumbra. O pensar não me salva. A inteligência é limitada ao nível celular, físico, e tenho perguntas que são metafísicas, que não têm respostas dentro da realidade tridimensional.

O que quero é me livrar desse medo ancestral, um medo enraigado nas células do meu corpo, imposto pelas condições da vida, da existência. O que quero é o amor sem medo, inteiro, pleno, simples. O amor que é a perda de todas as ilusões, que está além do véu que me cobre o pensar e ver, que me cobre os ombros e os gestos. Eu quero é poder olhar e ver e aceitar.