segunda-feira, 16 de abril de 2012

A Doma Racional


Existe uma técnica de domesticação que se chama doma racional. Essa técnica toma como base conhecer o animal e sua personalidade trabalhando com esses elementos para atingir o objetivo de torná-lo mais dócil e obediente ao trato sem sofrimento. Hoje em dia é reconhecida e efetiva. Mas naquela época, eu não a conhecia.

O animal em questão era completamente selvagem. Não aceitava nenhuma autoridade, nenhum comando, era arisco e de comportamento em geral irado, abrupto, inesperado. Podia ficar horas resguardado ensimesmado no seu canto intocável. Até explodir em um surto de liberdade indomável, corria, pulava, subia em árvores, beirava o precipício, mordia, arranhava, batia, desafiava os demais temerariamente. 

Quando entendi que precisava domesticá-lo, foi um pesar enorme. Já fazia estragos, já consumia muito minha energia, já tinha me deixado com cicatrizes profundas. Era preciso fazer alguma coisa para evitar uma catástrofe. Então, eu que não sei fazer nada sem entender, comecei por colocar em uma jaula esse animal enorme, maior que eu, mais forte e estúpido. Estupidez com estupidez não se paga. A prisão embruteceu ainda mais seus sentidos. Ensurdeceu, cegou, fez dele um vulcão prestes a erupção, ainda que com aparência externa de montanha plácida. 

As restrições e rédeas curtas não faziam efeito, longe disso. Seus golpes, sempre explosivos e inesperados, pareciam sair do fundo do mar como um bote de tubarão, rompendo a superfície calma para uma fúria voraz. Não sobrava quase nada depois que passava a turbulência das ondas. E assim, como se protegesse a si mesmo de um mal que não enxergava, como vinha, sumia. Refugiava-se num pântano de difícil acesso, onde não se chegava se não se fosse determinado, impetuoso.

Quanto a mim, só pensava em serrar-lhe os dentes, cortar-lhe as garras, tirar-lhe as asas, num desespero de tentar lhe controlar os ímpetos. E a cada gesto inútil e infrutífero, parecia que me atolava ainda mais numa areia movediça, num terreno arenoso, ardiloso, caia na teia e me enrolava cada vez mais. Agora eu virara a presa fácil. De domadora, virara a caça. De herói a vítima de um vilão que alimentara vigorosamente. Passei noites inteiras em luta feroz por retomar o controle. E dias exaustos na trégua de recolher os mortos. Na minha intenção de civilizar, fiz uma guerra. O animal sangrando, rugia.

Depois disso, cortei sua ração, cortei a água, quase cortei o ar. Queria medir forças, eu que mal comia e mal dormia, queria encarar a besta de frente. De cara limpa. De mãos vazias. Então, olhando para dentro de sua caverna, o escuro que me impedia de ver seu tamanho, dei com seus olhos medrosos e em brasa a me fustigar. Não vi que aparência tinha, ou o que tinha a seu favor, fiquei presa naquele brilho de coisa viva a respirar pesado. Olhos nos olhos, o terror e a raiva de um mundo inteiro num olhar sem fim. Que dia é hoje, que horas são, quem sou eu? Onde erigi meu castelo, a minha vida, onde foi que finquei raízes? De todas as minhas qualidades, de todos os meus talentos, ali, frágil e esguia, deparava com minha nudez áspera. Eram meus aqueles espinhos, e era eu a hidra de milhares de cabeças. Tendo usado todas as armas que conhecia, agora só me restava um último gesto: trazer-lhe para fora de sua escuridão. Impeli-la para a luz de fora. Abrir-lhe os horizontes de sol a pino para queimar as sombras embrutecedoras. E esperar que assim, ainda que tivesse de desistir de domesticá-lo, ao menos pudesse amansar seu coração.

domingo, 15 de abril de 2012

A música é da alma


Você já deve ter comido alguma coisa que gostasse tanto que quisesse mostrar para todo mundo. Ou viu um filme, bebeu um vinho, por certo, uma experiência tão boa que precisava ser compartilhada. Eu ouvi uma música. Tão linda, mas tão linda que quase doía de ouví-la, era como se meu coração tivesse ganhado uma tradução, a melhor tradução possível. Minha alma, se fosse uma música, seria essa. Não cabia só em mim, não cabia só na casa, no ambiente, no espaço, eu precisava urgentemente, intensamente, mostrá-la para outras pessoas.

A delicadeza quase melancólica de um cello com um piano ao fundo. Meu Deus, eu estava transbordando em emoção. Era como se a vida um dia despertasse sonoramente, amanhecesse outonalmente, fosse a combinação de cordas tocadas por mãos feitas para tocar, mãos delicadas como um piscar dos olhos em câmera lenta, como uma brisa que balança a flor liberando seu perfume, era como o calor do sangue, imperceptível e constante, presente no pulsar. 

Eu não queria parar de ouvir. Eu queria ser o arco que fazia aquela melodia derramar-se demoradamente como uma cachoeira de areia branca e solta. Ah, como eu queria ser assim aquelas notas que arrepiam, que parecem saudade de um sonho, que, de tão leves, eram asas de borboletas, e de tão intensas, eram um abraço, o último abraço, o abraço de despedida, o abraço do retorno esperado, os braços do abraço. Eu precisava, mais que contar, eu precisava fazer verter a lágrima que me escorria nos olhos de quem me ouvisse, fazendo-o sentir o que era lindo demais para explicar.

Toda alma deve ter uma música, um fundo musical. Eu quero poder ser para alguém um duo de piano com violoncelo, belo, belo, belo, e mais nada. Então, eu faria saber a quem ouvisse que Deus existe. Porque ao ouvir essa música me reconheci, me senti um ser amado por Deus. Amadíssimo. Íssimo, íssimo, íssimo.

(para ouvir essa música:)

sexta-feira, 13 de abril de 2012

O Primeiro


Essa noite comi o primeiro pinhão da temporada assado no primeiro fogo do fogão à lenha do ano. Finalmente começou a esfriar e tudo de bom que o outono traz está lá fora ao alcance da mão. É engraçada a importância que a gente dá para o primeiro-qualquer-coisa que nos aconteça. Seja bom ou seja mau, registramos com ênfase. Algumas dessas coisas são facilmente justificadas. O primeiro pinhão é o mais fresquinho e macio de todos. E feito assim na chapa quente do fogão à lenha, o melhor jeito. E se for acompanhado de azeite de oliva extra virgem com sal temperado, aí é demais.

Essa discussão sobre o primeiro me fez pensar de quais me lembro. O primeiro emprego, uma mistura de cabeça fresca com nervoso de aprender. O primeiro beijo, claro, lábios macios, leves. O primeiro dez da escola eu não lembro, mas lembro o primeiro Um, chocante, achei que a professora estava me perseguindo. O primeiro namorado eu não consigo me decidir, porque não consigo definir os critérios. Lembro bem do meu primeiro carro, fiquei com ele dez anos! Ah, lembro também da minha primeira viagem sem pai nem mãe, eu tinha uns oito anos e fui para a casa dos meus tios com minha vó.  Sim, e também tem os primeiros nãos. O primeiro desapontamento romântico. O primeiro fora. Ai, ai, a primeira batida de carro, que também foi a única, porque os outros é que depois bateram em mim. Tem o primeiro carnaval de verdade, que nunca mais quis viver de novo, bastou-me um. O primeiro salário, quanto dinheiro!!! Eu tive um primeiro gato, ranzinza, vermelho, viajava comigo para onde fosse. O dia que arrumava malas ele quase dormia em cima para não ser esquecido. Teve também o primeiro porre, meu Deus, pensei que entraria em coma, coisa ruim de se lembrar. 

Lembrar também é um negócio estranho. A gente lembra de cada uma, não lembra só de coisas boas. O certo era não registrar o que foi ruim e só marcar aquilo que fez bem. Mas não é assim. Lembrar parece estar relacionado com o grau de importância que se deu ao fato ou pessoa. Tem pessoas que me fazem lembrar de músicas, perfumes, de outras pessoas, de lugares, de uma forma tão clara, tão teimosa, que parece agora. Parece que está acontecendo. O que doeu, volta a doer, o que alegrou, faz rir novamente. É como lembrar de comida, dá água na boca.

Quando quero me lembrar de alguma coisa, eu fecho os olhos. Parece que procurando dentro de mim, bem lá dentro, vou encontrar o que queria. E se encontro, a pele arrepia sem querer, a respiração muda, a boca seca. Então, lembrar é experimentar de novo. Fisicamente. Acho que lembrar é um sentimento. Provoca mudanças hormonais, mudanças de humores. 

Agora, e quando você tenta se lembrar de um acontecimento, lembrar de um número, de uma frase, e não consegue? Você não se lembra da pessoa, por mais que ela conte detalhes de sua vida, não lembra o nome, não lembra o que aconteceu. Você não lembra o que respondeu, o que lhe falaram, o que prometeu. E lembra fatos que não contaria para ninguém, não contaria nem para você, já esqueceu, já se perdeu no emaranhado de sinapses, de redes neurais, de tramas mentais. Pode esquecer sem medo de tudo que não vale a pena lembrar. O que não pode nunca é esquecer de onde você veio, como voltar para casa, e se o que tem no bolso paga a passagem de volta. Você só não pode se perder.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

A Guerra acabou


Para mim a guerra acabou. Pode relaxar, abrir as portas e janelas, baixar a guarda. Acabou. Ainda há trincheiras do lado de fora, inertes, inúteis. E o silêncio voltou a reinar. Não há mais porque se preocupar. Não estoque mais comida, não se alimente demais. Pode ficar olhando a lua minguar, pode ficar esperando a rosa se abrir. E porque a guerra acabou, você não precisa mais ficar se protegendo dentro de uma estabilidade e permanência inexistente. Não precisa mais se esconder dentro de casa, cheia de pessoas para não pensar em nada, repleta de barulhos, risadas, completamente lotada de alegria e de tristeza, de saúde e de doença, e de unidos para sempre.

Mas ainda tem um momento difícil antes que todo o horizonte se abra em perspectiva, se abra em cachoeira abundante, se abra plenamente. Há que recolher os mortos. Há que enterrar os mortos. Há que se olhar para o que acabou, o que não conseguiu sobreviver, o que lutou em vão. E recolher partes que não resistiram, sonhos que mofaram, idéias feitas para passar o tempo. Tem que olhar para tudo isso de novo, e lembrar a dor que foi cortar a própria carne, lamber a própria ferida. Doer profundamente o ver ruir o mundo que idealizara, as pessoas que imaginara, a vida que não tivera.

Mas ao menos, a guerra acabou. Dispense a adrenalina, dispense o enrijecer os músculos, o coração de novo batendo pausadamente, a respiração ritmada e sutil. Olhe em volta e o que verá senão um passado tão distante que já não dá nem arrepios, não faz vertigem? Parece que nada mudou, e tudo mudou. Mudou a voz que diz ‘bom dia’, mudou o tom do meio dia, lentamente você vai vendo que o entardecer mudou. 

Já não existem mais falsas promessas, nem falsos testemunhos. Não existem falsos sinais, nem falta mais a palavra certa, a coisa certa, o certo e o errado. Deus errou, por acaso? Quando tanta coisa foi extinta, tanta gente desapareceu sob escombros, sob água e lama, sob lavas e cinzas, terá Deus errado? Destruiu o que criou porque errou? Quando deu a mim e a você a escolha de acertar ou errar, terá deixado ir longe demais? E quando viu, não havia mais o que fazer senão desaparecer com tudo, sufocar esse braço torto? E agora, terá acertado? O esforço em acertar me fez cortar os cabelos, cortar os laços, cortar os punhos para que o sangue corresse solto, lépido, desatinado, para não haver mais lágrimas, não haver mais dor. Renascer no fogo, apenas luz. Personagem espírito que mergulha no ventre de volta para recuperar a alegria doce e leve dos que não sacrificam.

Talvez eu já tenha sacrificado. Talvez eu já tenha recolhido mortos de tantas outras guerras, de tantos outros templos defendidos. Guerras santas. Santificado o sangue. Mas agora o momento é uma oração. E o fogo que cai do céu é apenas para cauterizar. Feche os olhos por um instante. Escute o longe aqui perto. Escute o tempo que passou chegar tão perto dos teus ouvidos e sussurrar que a brisa é agora. A vida começa dessa morte. Enfim, a morte acabou.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Adoro quando cozinho para mim


Adoro quando cozinho para mim. O cuidado se reflete no sabor. É um recado bem dado de eu te amo. Quando o prato é lentilha com rodelas de cebolas douradas e pão quentinho com manteiga, aí é eu te amo te amo te amo muito. Imagina então com um copo de vinho branco torrontés. Hoje foi pura paixão.

A comida é uma profecia, ela quase fala o que vai vir depois. Ela emociona e faz rir. A melhor comida é essa, depois de degustada, vai soltando a língua, vai torcendo as imagens, vai clareando o pensamento até fazer rir a valer. Aposto que você pensava que era o vinho, mas não é não.  Comida boa, esse o segredo. Comida feita com intenção, boas intenções, claro.

As intenções moram nas mãos. Você lava a lentilha debaixo da água que escorre pelas mãos e lá se foram aquelas intenções iniciais temperando o prato. Depois fatia com cuidado, bem fininhas, umas rodelas de cebola, segurando a faca cirurgicamente. Mais intenções. Depois ainda, enquanto a água borbulha revirando os grãos de lentilha de um lado ao outro da panela, você coloca azeite de oliva numa frigideira e refoga com paciência todas as rodelinhas de cebola. Vai caramelizando devagar para que ela solte aquele perfume maravilhoso. Melhor que isso, só se você refogar na manteiga.

Dizem tanta bobagem a respeito de comida. Imagina que falam mal da manteiga como se ela saísse de um conto de vilões. O que faz mal é o medo, o medo de comer, porque tudo que traz alegria ao coração, faz bem ao corpo também. Alegria verdadeira, não prazer apenas. Alegria que é a oitava anterior da felicidade, alegria diária, cotidiana, repetitiva. Dessas que você reconhece quando chega de manhã e olha no espelho. Dessas que você não se aguenta quando o gato se embola no tapete fazendo de conta que está massacrando um rival. Alegria ela mesma.

Fazer comida, comer e se divertir muito, dava para fazer filosofia na cozinha só de ficar pensando nessa combinação. Afinal, um prato é um prato é um prato. E tudo que perfuma chega à alma, sutil e doce, cuidando para que ela continue leve, continue firme em seu propósito. Sim, a comida que chega até a alma recombina suas idéias, justo a cabeça que é o lugar mais estéril de você. Faz com que tudo vire semente de novo. Semente de flores, semente de frutos suculentos, porque saciar é a missão de todos nós. Saciar a dor que pede um conforto. Saciar o pescoço tenso e inflexível depois do não. Saciar as pernas cansadas de correr atrás do mundo que, no entanto, ficou para trás dos pés. Abastecer os mananciais de riso e de passadas-de-mãos-na-cabeça despreocupados e singelos. E o estômago, claro, fazê-lo não parar de consumir-se.

E assim, ir transformando todas as proteínas, vitaminas, sais minerais, ir transformando a gordura em emoções picadinhas de amor e certeza. Porque é por esse motivo que se come. Come-se para ficar forte, fortalecer uma vontade fraca, um sonho frágil, um olhar débil. Come-se para poder subir mais alto os degraus da criação. Para fazer valer cada voto de desapego e compromisso. Pois para saber a medida certa das coisas, a distância equânime entre o corpo e alma, entre a cabeça e o coração, entre o desejo e o amor, é preciso muita força de vontade, muito pão com manteiga. E uma crença inabalável no poder das mãos que fazem de coisas secas e feias um sorriso no rosto.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

O encontro

De todos os encontros que tive, esse o que mais ansiei, porque o encontro de uma alma com sua gêmea é para sempre. Eu que pensava que não haveria permanência num mundo de impermanências, que não haveria realidade numa vida de sonho. Eu.

Diante de um espelho de imagens multiplicadas, desenhei com o dedo no embaçado que minha respiração fazia. Desenhei a mão estendida que esperava. Sabia que o dia que estendesse a mão, eu tocaria o outro lado de mim mesma. Sabia que tocaria o véu que me esconde de mim. E me tocaria por inteiro.
Mas o medo. O medo me detinha. Detinha o gesto, me retinha o ar no peito, me prendia ao chão, minhas pernas em pleno vôo, o sem sentindo da linha limite à minha frente. O medo. O medo de quem eu era. O medo de que o futuro me escondia um traço. A cedilha que mudava tudo, o acento que mudaria o rumo. O medo era eu e eu não era nada então.

Depois de me encolher tanto tempo sob a capa mágica e invisível de negar, de pensar tanto que era como se não pensasse em nada, de não chegar a lugar algum; de tanto querer, não abrir os olhos, não abrir a janela, não me abrir. Depois de tanto, as asas encolhidas, tímidas e ressequidas, sem pressa porque não sabiam para onde ir.

Então, a mão estava estendida. Sofria a dor do vazio que se faz logo em seguida de estendê-la. Tente, não tente. Não tente nada. Seja.  Veja as linhas desenhadas, em suspenso, a palma que pedia ou oferecia, mas vazia. Tem que estar livre para poder ser, para poder receber o outro aperto, a outra mão, a face limpa e escondida por trás de tudo.

Redemoinho de desencontros, encontro de onda com a mão que pende para fora da borda, acordo? Ou continuo no sonho? Eu sou o que sou. Dormindo, acordada, sonhando, olhos fechados, abrindo pouco a pouco para a luz que o dia fez para me ver estender a mão à procura de minha vida oculta. Quantos somos? Que universo de ser? Os dedos tocam leve o sopro frio de algo que apenas passou. Será minha alma gêmea? Será minha vida soprada por aquele que me criou? O toque novamente, mais intenso, mais demorado, a brisa quase fria.  Terei tempo? Tempo de entender o que se passa, tempo para perceber, para dar nomes?

E, num rompante, tudo passa aos meus olhos como se toda minha vida, todas minhas vidas, todas que fui e sou, tudo acontecesse ao mesmo tempo num agora. O mundo saindo do lugar a cada passo que dou. O toque profundo como se eu voltasse a ser quem sempre fui. Eu sou o eu sou. Inteira. Intensa. Em paz.  Agora sei o que procurava, sei o que fazia de mim. Agora, no reencontro que faz desvanecer qualquer medo, qualquer falta de vontade, que afasta o cansaço, que faz sorrisos soltos nos lábios entreabertos, voltei a ser.

Gêmea, sinto o encontro perfeito. Sinto como se não pudesse ter sentido tanto estar sozinha em vidas que somaram umas às outras, mas apenas somaram, sobrepuseram, seriam. Promessas que fiz, promessas que desfiz, compromissos cheios de pedras nos pés, imóveis. Agora, lavando meus próprios pés, minha alma se emociona. Lágrimas que enchem a taça de vinho. Brindo para celebrar o encontro. O encontro que ansiava, marcado para ser hoje. Hoje é o dia, e essa é a hora. Dá-me a mão.